Terapia Celular
As células progenitoras hematopoéticas, também denominadas de células-tronco hematopoéticas (CTH), são as células responsáveis pela renovação do sangue. Elas estão presentes na medula óssea e, em menor quantidade, no sangue periférico (circulante).
A partir de 1980, o avanço das técnicas de preservação de células permitiu uma significativa melhora no tratamento de doenças hematológicas, como leucemias e linfomas e também tumores sólidos, utilizando-se de quimioterapia de altas doses.
Este tipo de tratamento, que muitas vezes está associado à radioterapia, ocasiona grandes danos à medula óssea causando a ablação medular, isto é, elimina a capacidade de renovação das células sanguíneas pela medula óssea.
A recuperação da medula óssea ocorre com a coleta das CTH, antes do início do tratamento, e posterior infusão das células preservadas ao término da quimioterapia ou radioterapia. A recuperação ocorre cerca de 12 dias após a infusão. Este tipo de tratamento, com a utilização das células-tronco para a recuperação da medula, é chamado comumente de transplante de medula óssea (TMO) ou, no termo mais atualizado, Terapia Celular.
A obtenção das CTH pode ser realizada de duas formas: a coleta por aférese e a punção de medula óssea.
A coleta de CTH por aférese está vinculada à mobilização das células da medula óssea do doador para o sangue periférico, através de substâncias que estimulam a multiplicação destas células.
Estas células possuem características específicas que são identificadas pela técnica de Citometria de Fluxo como células CD34+ (marcador imunológico da célula progenitora). Após atingirmos um número adequado destas, aproximadamente 5 dias após a estimulação, procedemos à coleta por aférese.
A aférese é uma coleta de sangue do doador, por um equipamento específico e complexo, utilizando-se kit totalmente descartável. Através deste procedimento, haverá a seleção e separação da parte do sangue periférico em que existe predominância de células CD34+.
Esta parcela será processada, avaliada pelo Controle de Qualidade, realizando-se alguns exames específicos e, em seguida, criopreservada. A criopreservação é uma técnica que permite o armazenamento das CTH em temperaturas ultra-baixas (-85°C), impedindo sua degradação e possibilitando o armazenamento seguro por longos períodos.
Assim, o médico pode determinar o melhor ponto do tratamento em que será realizada a infusão, e consequentemente, aumentar as chances de recuperação da medula do paciente. Este procedimento permitiu a cura de muitos pacientes e um decréscimo acentuado na mortalidade causada por estas doenças.
A coleta de CTH por punção da medula óssea é um procedimento utilizado apenas nos casos em que não é possível recuperar as células do sangue periférico do paciente. Neste procedimento, o médico realiza a coleta das células diretamente da medula óssea do paciente. Estas células serão criopreservadas da mesma forma que as células coletadas por aférese e posteriormente infundidas.